Ao assumir a presidência da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI) para o biênio 2016-2017, o engenheiro eletrônico Ricardo Felizzola (HT Micron) disse que sua principal missão será trabalhar para uma maior inserção do setor nos mercados nacional e internacional. Felizzola assumiu a Presidência da entidade nesta quinta-feira, 20 de outubro, em Brasília.

“Existir, a gente já existe. Agora, nossa missão é desenvolver o setor”, afirmou Felizzola, em referência ao fato de as empresas serem ainda recentes. “Vejo que estamos nascendo numa nova era. Somos um tipo diferente de indústria e é fundamental que ela gere valor para o Brasil para que possamos continuar crescendo.” Na sua opinião, uma das grandes contribuições que a ABISEMI pode dar será atuar em políticas que promovam essa realidade.

Para o ex-presidente da ABISEMI, Rogério Nunes (SMART Modular Technologies), Felizzola tem todas as condições para colocar o setor em posição de maior destaque. Segundo Nunes, o grande desafio é ampliar a fatia de participação da indústria de semicondutores brasileira no mercado global.

A movimentação mundial da indústria de semicondutores está em torno de US$ 332 bilhões e o mercado brasileiro corresponde a cerca de 4% desse montante. “Se considerarmos os números atuais da indústria de semicondutores brasileira, temos uma oportunidade imensa para ampliar os nossos negócios”, enfatizou Nunes, um dos fundadores da ABISEMI em 2014.

A indústria de semicondutores oferece ao mercado produtos e serviços de elevado valor agregado, atuando desde o design até o encapsulamento e teste de componentes eletrônicos de alta tecnologia.

“O mundo será diferente no futuro. Quem liderará? Nós temos que fazer parte dessa corrida; os semicondutores são parte desse processo no ramo eletrônico”, continuou Nunes. Por isso, a despeito da conjuntura ainda adversa no país, o novo presidente Ricardo Felizzola insistiu que apesar do setor ser ainda muito novo, precisa ter o crescimento como objetivo.

“Temos que faturar mais e criar ambiente no Brasil de maior participação no mercado. A missão da indústria de semicondutores é agregar valor que nos permita ocupar mais espaço”, frisou Felizzola.

Para o Coordenador-Geral das Indústrias do Complexo Eletroeletrônico, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Leonardo Alves Figueiredo, apesar da crise provocar retração severa na indústria de eletroeletrônicos, com a mudança de governo “a confiança voltou a crescer, e alguns setores já apresentam reação positiva”.

“A indústria de semicondutores necessita de incentivos. É assim no mundo todo”, disse Figueiredo em seu discurso. Cumpre ao governo garantir a continuidade de benefícios fiscais importantes ao setor, como a Lei de Informática e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS). “Esses instrumentos estratégicos não podem estar à mercê dos desajustes macroeconômicos”, salientou Figueiredo.

A ABISEMI

Resultado dos esforços conjuntos da SMART Modular Technologies, de São Paulo, da CEITEC S/A e da HT Micron, do Rio Grande do Sul, e da Unitec Semicondutores, de Minas Gerais, a ABISEMI foi fundada em 2014 e congrega as principais empresas de manufatura de semicondutores do País. Atualmente, a Cal-Comp S/A, de Manaus e a Multilaser Componentes, também de Minas Gerais, completam os quadros associativos da ABISEMI.

Juntas, as empresas dispõem de infraestrutura produtiva de 55.000m2 e empregam mais de 1,5 mil profissionais, dos quais mais de 100 são mestres e doutores, cerca de 450 são engenheiros e 100 são dedicados a atividades de P, D & I em regime de exclusividade.

Para permitir capacitação e intercâmbio de conhecimento constantes, renomadas instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento integram a ABISEMI, como a Unisinos, a design house DFChip, vinculada à Universidade de Brasília (UnB) e o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológicos (LSI-TEC), vinculado à Poli-USP.

Compartilhe: