A indústria brasileira de semicondutores terá incentivos federais para ampliar e realizar novos investimentos no Brasil pelos próximos cinco anos. Isso porque o Governo Federal estendeu o prazo para apresentação de novos projetos a serem realizados no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS) até 31 de julho de 2020. A prorrogação desse prazo, que havia se encerrado em 31 de maio deste ano, está prevista na Lei nº 13.169, publicada nesta quarta-feira (07/10), no Diário Oficial da União.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI), Rogério Nunes, a prorrogação do prazo para apresentação de novos projetos incentivados pelo PADIS é essencial para viabilizar a continuidade do desenvolvimento e do aprimoramento tecnológico da indústria nacional de semicondutores que, mundialmente, é de extrema importância estratégica.  

Na sua opinião, o setor de semicondutores no mundo inteiro é fortemente estimulado  por políticas industriais que viabilizem o desenvolvimento continuado de recursos humanos, de processos produtivos inovadores e de alta tecnologia, além de novos componentes e serviços que atendam às demandas de um mercado dinâmico e em constante evolução. Rogério Nunes atribui ao PADIS os novos investimentos em semicondutores que o Brasil recebeu na última década, a ponto de hoje existir diversas iniciativas em multiplas áreas e uma indústria já estruturada em memórias, porém ainda em fase de crescimento no País.

Segundo o presidente da ABISEMI, a indústria nacional de componentes semicondutores emprega profissionais altamente qualificados, em sua maioria capacitados pelas próprias indústrias, que realizam relevantes e constantes investimentos em treinamento e no aprimoramento de sua mão de obra. Além disso, esse segmento industrial já fatura mais de R$ 2 bilhões por ano no Brasil, valor bastante significativo, mas que ainda não é suficiente para reduzir o déficit da balança comercial do setor, que atinge cerca de US$ 7 bilhões. Nunes destacou que atualmente há nove empresas já habilitadas no PADIS, cinco com projetos já aprovados e no aguardo de habilitação, e outras dez empresas com projetos em fase de avaliação por parte do Governo Federal.

Com a prorrogação do prazo para apresentação de novos projetos até 2020, o setor poderá crescer mais porque empresas ainda não incentivadas pelo PADIS poderão encaminhar seus projetos ao Governo Federal, garantindo um cenário favorável à ampliação de investimentos já existentes e à atração de outros novos. “A ampliação desse mercado é necessária para inserir o Brasil nas cadeias globais de semicondutores e de produtos eletrônicos e afirmar o País como ator relevante no âmbito internacional, tornando-o um polo de produção, pesquisa, inovação, desenvolvimento e exportação”, acrescentou o presidente da ABISEMI.  

Nunes destacou que o setor de semicondutores move a inovação tecnológica no mundo e que o desenvolvimento dessa indústria deve ser visto como uma questão estratégica para os países: “O Brasil precisa adotar semicondutores como algo importante para que a indústria local possa se fortalecer e seguir investindo no País”, frisou. De acordo com ele, a indústria de semicondutores brasileira representa uma excelente oportunidade para a geração de empregos qualificados e de alta renda, para a formação de novos técnicos, engenheiros e cientistas, para o lançamento de novos produtos e para o fortalecimento da inovação no País.

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