O setor de semicondutores brasileiro já conta com um complexo tecnológico composto por duas dezenas de empresas em operação no Brasil. Elas oferecem ao mercado produtos e serviços de elevado valor agregado e atuam desde o design até o encapsulamento e teste de componentes eletrônicos de alta tecnologia. A maioria dessas empresas é beneficiada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays, o PADIS, que ao lado de outras políticas públicas implementadas nos últimos anos, foram fundamentais para o crescimento e amadurecimento do setor.

Criado em 2007 para incentivar um setor de importância estratégica para o desenvolvimento econômico e tecnológico, porém altamente dependente de investimentos e aprimoramento constantes, dado o dinamismo inerente a essa indústria, o PADIS reduz as alíquotas da maior parte dos tributos incidentes sobre a produção e venda de componentes semicondutores. Em contrapartida, investimentos obrigatórios são feitos em PD&I, sigla atribuída às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, que são essenciais à evolução tecnológica em todo o mundo.

Além da criação do PADIS, que hoje já beneficia 19 empresas no Brasil, foram feitos aportes à ordem de R$ 1,4 bilhão pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pelo Programa CI-Brasil.

Essas iniciativas, aliadas a parcerias tecnológicas relevantes e a investimentos de mais de US$ 2 bilhões realizados pelo setor produtivo em infraestrutura, aquisição de máquinas e equipamentos e na capacitação profissional de seu pessoal, permitiram a instalação e o desenvolvimento de uma indústria que, embora ainda incipiente se comparada a outros países, apresenta enorme potencial de crescimento.

Dados do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), apontam que o faturamento consolidado das empresas do setor quase quadruplicou entre 2011 e 2015 e estima-se que os números poderão ser superiores a R$ 1,2 bilhão em 2016.

Além disso, a Lei de Informática possui cerca de 800 empresas habilitadas e já gerou investimentos de P, D & I em centros e institutos de ensino, pesquisa e desenvolvimento de mais de R$ 2,5 bilhões nos últimos cinco anos. Essa lei é fundamental para o crescimento do setor de semicondutores, uma vez que promove a sua inserção na cadeia de valor da indústria de bens finais de microinformática e telecomunicações, entre outros. 

Também segundo o MCTIC, empresas beneficiárias do PADIS investiram mais de R$ 120 milhões em atividades de P, D & I voltadas especificamente para semicondutores desde 2011, e estabeleceram cerca de 70 parcerias tecnológicas com institutos de pesquisa públicos e privados, resultando em mais de 40 patentes requeridas no Brasil e no exterior.

Para o presidente da ABISEMI, Ricardo Felizzola, o desenvolvimento do setor de semicondutores no Brasil se deve, em boa medida, a um marco regulatório propício à realização de investimentos de médio e longo prazos e ao desenvolvimento de novas tecnologias no País, com destaque justamente para a Lei de Informática e para o PADIS.

“Há grandes oportunidades para a nossa indústria. A utilização de semicondutores só vai aumentar no Brasil e no mundo com a facilitação do acesso da população a bens de informática, como smartphones e tablets, e com o crescimento da Internet das Coisas, que já é um fenômeno mundial. Além disso, semicondutores serão cada vez mais utilizados em outras soluções e nas mais diversas áreas, como é o caso da saúde, da agropecuária, dos eletrodomésticos, entre outras”, salientou Felizzola.

Ele lembra que a indústria de encapsulamento de circuitos integrados de memória em operação no país utiliza o que há de mais avançado em tecnologia de semicondutores e fornece componentes, seguindo padrões internacionais de qualidade e confiabilidade, às maiores empresas de microinformática e de telecomunicações do mundo.

Na sua avaliação, se a essa realidade forem somados o aumento mundial do acesso a bens de última geração (no Brasil inclusive), a aplicação mais frequente dessas tecnologias por outros segmentos (como o automotivo, o agropecuário, o médico-hospitalar e o de segurança), e a onda de interoperabilidade e interconectividade entre diversos equipamentos, o crescimento da demanda por chips no mercado será exponencial.

“Isso demonstra claramente que o futuro do setor de semicondutores brasileiro será extremamente próspero, em especial se as políticas de estímulo acompanharem a curva natural de consolidação e de amadurecimento da indústria”, destacou Felizzola.

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