7 de setembro de 2017

Assim como outros objetos de alto valor, semicondutores (chips) são constantemente falsificados. Além de apresentarem uma perda para o fabricante do equipamento original (roubo de propriedade intelectual), a falsificação pode causar grandes riscos em sistemas importantes e causar danos irreparáveis, visto que os chips controlam sistemas militares, equipamentos médicos e comunicação. Backdoors colocadas nestes chips podem causar desde roubo de dados a um colapso de energia em um smart grid.

Dada a sua relevância, as mais importantes associações da área, como a SIA (Semiconductor Industry Association) estão constantemente monitorando o assunto (goo.gl/o6jCrc).

Uma tecnologia que surgiu recentemente e está sendo utilizada para conter falsificação em várias indústrias, tendo como um case concreto no momento, é o registro de diamantes Blockchains (“Diamonds And The New Transparency” Forbes - goo.gl/X2zbTP).

Qual é a idéia? Blockchain é uma estrutura de dados não fraudável, ou seja, uma vez que uma transação é registrada e validada na Blockchain, alterar o conteúdo desta transação não é possível sem que isto obrigue a alterar toda a estrutura, o que tem um custo computacional alto e, além disso, como e estrutura é distribuída e permanentemente atualizada, esta alteração seria desfeita a cada consenso com os outros nodos da rede.

Assim, a cada vez que alguém minera um diamante ou produz um chip semicondutor, o fabricante adiciona isto à Blockchain. Este registro é publico e distribuído, sendo atualizado constantemente com as novas transações. Quando alguém compra aquele semicondutor, a transação também é armazenada. Note que o comprador pode ficar relativamente anônimo visto que sua identificação é um numero único que não necessariamente pode ser conhecido, assim como acontece com os usuários de criptomoedas.

Neste caso, se eu vou comprar um componente consigo validar na Blockchain quando este componente foi adicionado à Blockchain e todos os seus eventuais proprietários (distribuidores, etc). Se alguém quiser vender um componente fraudado, não vai conseguir adicioná-lo à blockchain visto que aquele partnumber já existirá e também por não possuir a identidade válida do fabricante. Na hora da compra, para saber se o componente é original, busca-se o partnumber e o numero de série na Blockchain. Se este registro não existir, o componente não é original.

Existem alguns profissionais sugerindo o uso disto atrelado a bitcoin, por exemplo. Eu creio em uma estrutura colaborativa, iniciada por uma associação internacional e utilizada por todos na qual o interesse em registrar as transações é dos players que usam o sistema. Ou seja, o interesse da indústria em eliminar componentes fraudulentos tanto do lado do fabricante quanto do usuário que busca um componente original. Logicamente para indústrias que buscam o mercado negro esta estrutura não é de interesse, mas isto evitaria a compra de componentes falsificados de forma inconsciente ou fraudulenta no meio da cadeia como acontece hoje.

Edelweis Ritt
Vice-Presidente da ABISEMI

 

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